terça-feira, 23 de junho de 2009

Personagens - D. Mirtes

D. Mirtes sabia ser feia, mas não se importava. Os seus milhões faziam-na linda aos olhos de todos aqueles que ela sempre havia desejado. Porém, o pior de D. Mirtes não se adivinhava. Escondido debaixo da sua roupa interior, estava um cheiro nauseabundo saido da sua cova do amor. Um odor amarelo quente arrepiante, mas que provocava em todos os homens um efeito altamente afrodisíaco. Completamente desmaiante. Exclusivo de D. Mirtes.

Já poucos se lembravam da jovem de bigode e cabelo desgrenhado, com uma saia de ganga farripada, uma camisa cor-de-laranja com cornocópias liláses e roxas e umas sapatilhas de lona com um buraco na sola, que um dia havia partido da aldeia de São Torentino, lá para os lados serranos de Belmonte. Num lugar onde o gélido frio de Inverno só consegue ser mais desumanamente violento que o tórrido calor de Verão. Fugiu para tentar a sorte na cidade grande.

O seu primeiro e rico marido foi encontrado morto vitima de ataque cardíaco, três meses depois do casamento, deitado na cama no quarto todo nu, com um sorriso. Diziam não ter aguentado o acto sexual com D. Mirtes.

O seu segundo e riquissimo marido foi encontrado morto vitima de ataque cardíaco, quatro meses depois do casamento, deitado na mesa na cozinha todo nu, com um sorriso. Diziam não ter aguentado o acto sexual com D. Mirtes.

O seu terceiro e riquérrimo marido foi encontrado morto vitima de ataque cardíaco, cinco meses depois do casamento, deitado na espreguiçadeira na piscina todo nu, com um sorriso. D. Mirtes, chorosa, dizia: - O meu amor só me deu oito!?! Diziam não perceber porque tinha morrido o coitado.

E assim D. Mirtes continua, quem sabe bem próxima do caro leitor, em busca do seu quarto marido ...