quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Palavras trocadas

Gostava de escrever qualquer coisa hoje. Não ficar calado.
Estou perdido num mundo de palavras com significados trocados.
Quero chamar injustiça à morte, pela injustiça que a morte representa.
Quero chamar morte à saudade, pela morte que a saudade provoca.
Quero chamar saudade às memórias, pela saudade que as memórias me trazem.
Quero chamar memórias ao amor, pelas memórias de um amor antigo.
Quero chamar amor ao pai, pelo amor que um pai me deu.
Eu só gostava de escrever qualquer coisa, e só me ocorre...
que morte de injustiça do amor, continuo a memorizá-lo para sempre.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Lugares perdidos ... encontrados


Existem por aí perdidos alguns lugares por onde passamos, sem os ver, sem os adivinhar. Lugares por vezes encantados por algum pormenor que os torna especiais. Uma fotografia, um aroma, uma capela, uma pessoa, ou até um momento que nos marca.

Boleiros é um desses locais.

A não mais de dez quilómetros da “sagrada” Fátima existe esta pequena localidade onde por milagre se encontra um restaurante. Especial em iguarias e néctares, entre bacalhaus e migas, galos e açordas, mas especialmente especial para mim por outras mais razões. Por coincidência ou talvez não, nas poucas vezes que tive o prazer de lá me encontrar, momentos únicos ficaram-me marcados para sempre na memória.

Mesas a dois, a vinte, ou mais recentemente a dez, com companhias tão importantes que ficarão escritas na história da minha vida.

Faço honra ao Restaurante o Truão, mas acrescento o meu muito obrigado a todos aqueles que já lá partilharam magníficos momentos comigo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dia a dia na Casa de Saúde

1º A Apresentação
- Eu sou uma pessoa muito prática. Já a minha filha me diz, e ... ham ... e depois quando eu vim de Moçambique ... Prrrr. É mesmo assim...

2º A Amizade
- Amigo. Vais à vila?
- Sim.
- Preciso que me compres cigarros.
- Está bem. De quais?
- Carlsberg Pretos. Dos maiores.
N.A. Eram John Player Special

3º A Intimidade
- Já tirei o bigode - disse orgulhosa a Susana.
- Óptimo. Como?
- Arranquei os pelos um a um.
- Mas isso dói.
- Não porque esfreguei primeiro com gelo.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mais um dia...

Neste teatro que é a nossa vida,
Fecham-se luzes, levantam-se panos.
Todos juntos, a cada dia uma corrida,
Comédias, dramas, tudo enganos

Sofremos com lágrimas dias cinzentos,
Cantamos risos quando estamos felizes.
Ignoramos alegremente lugares bafientos,
Tratamos tristezas lembrando-nos petizes.

Estes versos não são de grande qualidade.
O cérebro mal-tratado está no fundo.
Mas lá vai o tempo em que a vaidade
Me obrigava a ser o melhor do mundo.

Agora só escrevo para estar ocupado,
Sinto-me feliz nestes breves momentos.
Quando olho com olhos o trabalho acabado,
São brisas transformadas em fortes ventos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Ovo

Sinto-me tão bem aqui, estou dentro dum ovo.
Apesar desta sã insanidade das depressões em que todos nos encontramos, uns mais, outros menos, incluindo eu, não quero sair daqui.
Não quero sair porque aqui me compreendem, porque aqui me acarinham, porque aqui encontrei uma familia de pessoas que me amam.
Porque até aqui reencontrei o maior amor que tenho, e que achava ter perdido para sempre. O amor de alguém que está fora deste ovo mas todos os dias vem confirmamr a energia que ele me dá.
Mas sei que a minha viagem não pode continuar muito mais tempo por aqui, e é ainda mais impensável terminá-la aqui.
Já não me lembro quem sou, já não me lembro para onde ía quando me desviei para aqui entrar.
Tenho medo de sair deste ovo. Tenho medo de perder a sua protecção.
Tenho que voltar para o meu mundo lá fora, aquele mundo que me sugava e cegava. Mas serei eu capaz de o mudar, moldando-o de forma a não me agredir?
Sinto um medo de morte. Preciso tanto de ajuda.