quarta-feira, 29 de julho de 2009

A naturalidade das crianças

Olha-me do seu alto metro e quinze e pergunta-me, desejosa de melhor entender o mundo: "Sabes escrever?". Fico na duvida em relação à pergunta. Este "sabes escrever" não deve ser a conjugação de letras que formam palavras nem a conjugação de palavras que formam frases; calculo que seja algo mais do que isso. Interpreto este "sabes escrever" como a duvida se conseguirei escrever uma historia com principio, meio e fim, capaz de cativar um leitor, enfeitiçà-lo até desejar nada mais que não seja saber o final. Mas serà aue passa por uma mente de seis anos tal questão? Na duvida, defendo-me com outra pergunta: "Talvez, porqu^e?" Sou surpreendido com a mais luminosa resposta: "Para escreveres: Sou o melhor pai do Mundo".

A naturalidade das crianças é perfeita...

Escrito em teclado àrabe

sábado, 11 de julho de 2009

Paciência ... um dia ela vai embora

(Todos nós conhecemos uma pessoa que não suportamos)

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquela gorda
Oh meus amigos, paciência
Pelo menos, pode ser que não morda.

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquele cheiro
Oh meus amigos, paciência
Nem vocês, nem o mundo inteiro.

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquela voz
Oh meus amigos, paciência
Ela também sofre, nos momentos a sós.

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquela persistência
Oh meus amigos, paciência
Será estudada um dia pela ciência.

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquela estupidez
Oh meus amigos, paciência
Perderá um dia aquela altivez.

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquela presença
Oh meus amigos, paciência
Ela terá a sua sentença.

Oh meus amigos, paciência
Ninguém aguenta aquele feitio
Oh meus amigos, paciência
Mandem-na “Pr’á puta que a pariu”.

Personagens - Pepa

Pepa cheira mal. Na sua meninice ganhou uma fobia ao banho, que partilhava com o seu gato Tobias, homossexual assumido, mas único amigo (porque ninguém suportava o seu mau génio), com quem tinha discussões filosóficas, e sempre levava a melhor.
No dia do seu vigésimo segundo aniversário, Tobias morreu, e Pepa prometeu, em sua memória, não mais entrar numa banheira, poliban ou chuveiro. A higiene diária ficaria limitada a umas pingas e umas lambidelas.
Três anos mais tarde Pepa conheceu Toni, e ninguém conseguiu demovê-la (como sempre) da teoria que este era Tobias regressado do lado de lá da morte. Também Toni era homossexual, também Toni a ouvia. E conseguiu convencê-lo, com a persistência habitual, que segundo todas as regras e leis, deviam casar. Assim foi.
Mais tarde descobriu que estava errada. Toni não era Tobias. Ao contrário do gato, que bufafa assanhado (assustado, mas esta atitude Pepa interpretava como um sinal de prazer), Toni não tinha qualquer tipo de reação quando Pepa dançava semi-nua, dizendo: “Sou bela, não sou?”
E então tomou uma decisão com duplo objectivo; atazanaria a vida de todos os que a rodeiam, com o primeiro objectivo de se vingar de Toni e da humanidade, e com o segundo objectivo de encontrar o seu Tobias ressuscitado. Aquele que a ouvia, e sobre quem ela sempre levava a melhor.
Estudiosos na área das Relações Humanas de Lisboa e Madrid, assessorados por entendidos vindos de Itália e acompanhados por um especialista de Coimbra, com vasta experiência ganha na Venezuela, dedicaram-se a tentar entender Pepa. Em vão.
Com o seu odor insuportável, o seu mau feitio anestesiante e a sua falta de inteligência crescente, feia e mal arranjada, Pepa continua a busca do seu Santo Graal, tentando passar por cima de tudo e de todos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Personagens - Milena

Milena podia ser uma publicidade móvel à Circunferência. Toda ela é redonda.
Uma cabeça de melancia, com uma carapinha loura, cheia de caracóis tipo séc. XVIII, e um constante sorriso que lhe transforma os lábios numa meia-lua, dão-lhe um ar jovial.
No seu peito, todo ele um círculo, sobressaem dois seios de dimensões consideráveis, também eles exageradamente redondos, onde se destacam uns enormes mamilos circulares, sempre salientes nas suas justas vestes.
O ventre, mais uma circunferência. Frequentemente, Milena ganha uma injusta prioridade em filas de espera, graças a este falso estado de gravidez permanente.
Abaixo da cintura, quando vista de costas, mais duas circunferências, balofas, gelatinosas, insufladas. Um assento verdadeiramente almofadado.
No final de cada pé redondo, cinco dedos redondos, com uma unhas pintadas de um vermelho coloridamente redondo.
Milena, de nascença chamada Maria Helena Bolas, ama-se a ela própria, porém, odeia o seu nome. "É nome de gorda!" - diz com uma voz arredondada.