sábado, 25 de abril de 2009

Tanto calor faz mal à cachola

Zé e Manel descansavam debaixo de uma azinheira, aproveitando deliciados cada pequeno segundo de brisa que por eles passava naquela tarde sufocante de Verão.
Zé olhava para o céu azul, enquanto Manel olhava para dentro.
- Vem lá uma nuvem – disse Zé.
- Diz-lhe que eu não estou – respondeu Manel. Não quero ser incomodado.
- Nada disso. Uma nuvem. Daquelas tipo “algodão doce”.
- Então come-a.
- Acorda Manel. Uma nuvem cinzenta num céu azul. Sabes o que costuma significar?
- Humm. Não me ocorre.
- Não precisas correr porque não é para já, mas vai chover.
- Vai tu!!!
- Onde?
- Não sei. Onde tu quiseres. Donde vem mesmo a nuvem? – Perguntou Manel, enquanto abria metade do olho esquerdo. Sim, porque abrir os olhos ao mesmo tempo, enquanto se descansa debaixo duma azinheira, numa tarde sufocante de Verão, pode ser um esforço sobre-humano.
- Dali. Dos lados da do Tio Tóino – respondeu Zé, sem perceber para onde levava a conversa.
- Então não te incomodes. Vai pelo que eu te digo…
- E o caminho é bom? Esse pelo que tu me dizes?
- Garantido – respondeu Manel, só para não ficar calado, porque lhe pareceu má educação.
Passaram 10 minutos e Zé perguntou:
- E o que tu me dizes?
- Que vás. Mas depois volta que aqui está bom.
- Então vou. Até mais.
E Manel aproveitou para descansar…

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Confissões de um cabrício

Sou um cabrício, verdade que sou. Mas não sou um cabrício qualquer. Posso mesmo dizer que sou o maior cabrício de todos os cabrícios. Saio para a rua todas as manhãs em busca de uma pipoca desprevenida e não demora mais de 5 minutos a descobrir aquela que me cairá no colo. E não deixo que seja uma qualquer. Para mim, o “Rei dos Cabrícios”, só uma pombinha atangerinada serve. Olho-as com o meu ar cabriciado, deixo escapar discretamente o meu melhor sorriso, e … elas ficam logo embainhadas por mim. São todas iguais.
Todas, excepto uma. A única que simulou cair no meu cabriciamento, engalfinhando-me de um modo maravilhosamente espectacular. Segredou-me ao pavilhão acústico, num tom “cantar de sereia”, a mais deliciosa palavra que ouvi até hoje.
- Pretendo-te.
Naveguei nas ondas daquele som, para me espraiar no leito daquela que, mais tarde descobriria, era (quase) tão cabrícia como eu.

sábado, 18 de abril de 2009

...

Escrevi com o teu aroma o meu nome nas nuvens,
Só assim não esquecerei que sou um narcisista apaixonado.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Intelectuais ... do peixe

Chegou ao bar da Estação de Comboios, para um café da manhã, quando foi absorvido pela conversa dos três “intelectuais” presentes.
O mais velho: Nam. Hás-de reparar que todos os peixes têm escamas.
O mais novo: Excepto o choco e a lula…
O mais velho: Mas isso não são bem peixes. Agora nem me estou a lembrar bem o que são.
A senhora: São moluscos.
O mais velho: Nam. Crustáceos.
O mais novo: E o golfinho e o tubarão?
O mais velho: Oh pá! Isso são mamíferos!!!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Paternidade

Certo dia uma filha olhou o pai no meio de uma qualquer brincadeira e, sem que ninguém pedisse, sem nenhum interesse associado, com uma sinceridade só existente nas crianças, disse: “Goto muto ti, pai!”. O brilho no olhar com que pronunciou uma frase tão simples ficou-me na memória para sempre, como um farol que indica o caminho para casa. O caminho da paternidade. Não mais me perderei a partir daquele dia.

Carta da minha Galocha

Meu querido Miguel,
Que saudade. Há quanto tempo…
Lembro-me todos os dias com se fosse hoje, quando eu e a minha irmã andávamos orgulhosamente nos teus pés. As aventuras tipo “Indiana Jones”, os números à moda de “James Bond”. Tantas vezes fomos o Capitão Spock e o Comandante Kirk ou um simples polícia a correr atrás de um qualquer ladrão. Mas nunca te deixámos ficar mal. Até ao dia em que te magoamos os pés, umas nossas primas entraram lá em casa, e nós ficámos esquecidas no “Quarto da Costura”, à espera de um próximo pé do nosso tamanho. Ninguém nos disse que eras o benjamim, e mais nenhum pé havia a seguir ao teu.
Mas passados mais de vinte anos recebemos a notícia. Carolina, não é? Uma filha … Deixa-nos fazê-la feliz com a ti fizemos. Passar os mesmos ribeiros, chutar as mesmas poças, pisar a mesma lama. Tu sabes onde nós estamos. “Quarto da Costura”, armário do meio, lado esquerdo, segunda caixa.

terça-feira, 14 de abril de 2009

OBRIGADO

Antes de colocar neste blog qualquer dos textos que escrevi, sinto a obrigação de publicamente agradecer a uma pessoa (se o próprio me permitir), a um Amigo.
Por conseguir despertar em mim a vontade de passar para o papel tudo o que me vai na alma.
Por conseguir fazer-me entender como escrever aquilo que eu sinto.
Por conseguir guiar-me na melhor forma de brincar com as palavras.
Por conseguir proporcionar-me agradáveis momentos em torno de uma caneta e um papel.
Por tudo isto, e pela simpatia contagiante, OBRIGADO PEDRO SENA-LINO.