quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aquele beijo...


João e Marta eram dois adolescentes como tantos outros. Apaixonados pela vida, apaixonados pelos amigos, apaixonados pelo que os rodeava. Mas, mais do que tudo isso, apaixonados um pelo outro, apesar de não saberem como nem perceberem porquê.
Estavam sempre juntos e só assim se sentiam bem. João longe dos jogos de futebol e das provas de masculinidade entre os rapazes e Marta longe das rodas de sussuros e risos entre as raparigas.
Longe de tudo o que seria normal nas suas idades, mas também longe de assumirem um namoro do qual ambos tinham medo de dar o primeiro passo. Ambos receavam uma improvável mas possivel rejeição.
Até aquele dia, num banco de jardim. Sentados lado a lado, alheios ao mundo que os rodeava. Só os dois e mais ninguém. Em silêncio.
João reuniu toda a coragem que conseguiu e, muito ao de leve, pousou a sua mão sobre a de Marta. Sentiu quanto macia era a sua pele. A pele de um anjo.
Olharam-se e os seus rostos aproximaram-se. Fecharam os olhos e os seus sonhos tornaram-se realidade.
Os seus lábios tocaram-se, os seus corpos estremeceram e as suas almas fundiram-se. Num vermelho intenso. Vermelho fogo. Vermelho céu. Vermelho céu em fogo. Um vermelho só possível devido às imensas ondas de paixão. Um vermelho do sangue que lhes corria pelas veias a uma velocidade alucinante, inebriante. Um vermelho a tocar a loucura, a roçar a insanidade. João e Marta puderam senti-lo. Puderam vivê-lo. Numa felicidade sem limites.
E ao final dum tempo sem tempo porque o tempo parou, separaram-se num abraço apertado.
João olhou Marta, e percebeu na sua face o corar de quem não conseguia mais esconder os seus sentimentos, as suas emoções, a sua paixão. E amou-a como nunca.

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