segunda-feira, 12 de abril de 2010

Encontrei Leonor

A mais completa e fiel companhia. Pelo menos achava Jorge quando pensava na sua mulher Marta. Nunca lhe havia ocorrido que podia estar completamente enganado.
Só ao fim de dois anos de enganos percebeu que o seu casamento tinha terminado, tinha morrido. E o principal assassino tinha sido ele, com as suas noites infindáveis de reuniões e o trabalho acima de tudo. A total liberdade ganha a tudo e a todos com o seu poder sem limites era o mais importante. Ganhava poder sobre todos menos sobre os que estavam em casa esquecidos.
Os filhos cresceram, sairam de casa e o fim de tudo o que mais se gosta estava iminente. Marta fartou-se.
Certo dia, manhã de tristezas, Marta caminhava pela rua, quando encontrou Leonor, amiga de infância. Conversaram e perederam o tempo. Aquela Leonor foi um sopro de ar fresco na monotonia diária, e Marta descobriu nela a pessoa que faltava na sua vida. Compreendia-a e aconselhava-a como nenhum homem ou mulher o haviam feito até ali.
Marta via a felicidade de uma familia unida em torno das gargalhadas frescas das crianças ruir, mas, de qualquer modo, os filhos já tinham a mais completa visão da terra que pisavam e a perfeita imagem de família esfumou-se com a ausência de Jorge.
A partida daqueles que mais amamos contraposto com um porto de abrigo sempre pronto a receber-nos, foi o que Marta viu no desmoronar da familia e na aparição de Leonor. E nisso percebeu que as corridas sem fim no corredor sem limites que era a sua história, sem os que lhe eram mais importantes como companhia, tiravam o sentido à sua vida.
Mas Leonor devolvia cor ao mundo de Marta. Viu nela um anjo salvador pelo qual, sem entender como, se apaixonava a cada dia.
Esta relação para além dos limites do imaginável, era o fim de tudo o que mais se gosta, mas o principio de tudo o que mais se adora.
Marta acabou por entender o que lhe aconteceu, Jorge não.

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